Rafael Nadal se aposentou do tênis em novembro de 2024 com uma fortuna estimada em 220 milhões de dólares, quantia suficiente para nunca mais precisar trabalhar. Mas o espanhol deixou claro que esse está longe de ser o seu plano.
Depois de conquistar 22 títulos de Grand Slam, 14 troféus de Roland Garros e passar 209 semanas como número 1 do mundo, Nadal decidiu que a aposentadoria tradicional simplesmente não combina com ele. Em vez de desacelerar, mergulhou na construção de uma rede de hotéis.
Em entrevista à CNBC, o espanhol contou que não é o tipo de pessoa que gosta de acordar sem saber o que fazer e afirmou que seu objetivo sempre foi seguir em frente.
Ele reconheceu que passar tempo com a esposa e os dois filhos pequenos é uma prioridade, mas admitiu, com sinceridade, que simplesmente gosta de trabalhar.
Segundo Nadal, da mesma forma que construiu um legado dentro das quadras, agora quer construir outro fora delas. Por isso, decidiu investir em um setor que conhece como poucos: a hotelaria.
Sua nova aposta é a rede de hotéis Zel, marca fundada em 2022 em parceria com a Meliá Hotels International e que já conta com quatro unidades. A mais recente foi inaugurada em Fuerteventura, nas Ilhas Canárias.
Nadal explicou que, depois de passar boa parte dos seus 23 anos de carreira hospedado em hotéis ao redor do mundo, abrir os próprios estabelecimentos pareceu um passo natural. Afinal, ele acredita saber exatamente o que espera de uma boa experiência de hospedagem.
Os hotéis representam apenas uma parte do império empresarial administrado por Nadal, principalmente por meio da empresa familiar Aspemir. Antes de entrar no setor hoteleiro, ele inaugurou, em 2016, a Rafa Nadal Academy, em Mallorca.
Com o passar dos anos, o projeto se transformou em uma rede de academias e centros esportivos presente em países como México, Grécia, Kuwait e Hong Kong.
Em 2025, Nadal vendeu 44,9% da academia para a gestora de investimentos GPF Capital, operação que lhe rendeu cerca de 107 milhões de dólares em dinheiro, sem que ele perdesse o controle majoritário do negócio.
Nadal não é o único atleta — ou milionário — que resiste à ideia de parar de trabalhar.
Roger Federer, que encerrou a carreira em 2022, acabou acumulando mais dinheiro com investimentos e contratos publicitários do que com as premiações conquistadas nas quadras. Sua participação na marca On também o transformou em bilionário.
Algo semelhante aconteceu com Tom Grogan, fundador da Wingstop no Reino Unido. Depois de vender a maior parte da empresa por mais de 500 milhões de dólares, ele confessou que a fortuna não foi suficiente para preencher o vazio deixado pela rotina de trabalho, já que a vida sem uma ocupação lhe pareceu entediante.
O mesmo fenômeno se repete entre pessoas que chegaram ao topo e não conseguem imaginar uma vida em ritmo mais lento. Aos 84 anos, Martha Stewart é uma das vozes mais enfáticas sobre o assunto e afirma que a aposentadoria simplesmente não faz parte dos seus planos.
Histórias como as de Nadal e Federer mostram que, para muitos profissionais de sucesso, o dinheiro nunca foi o objetivo final. O que realmente os motiva é continuar tendo um propósito — e um motivo para se levantar todas as manhãs.
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